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A Autora,

Isabel Mendes (Isamar)

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A FOTOGRAFIA DAS MEMÓRIAS



Fui buscar o álbum das memórias
e encontrei aquela fotografia esquecida,
pensei que estava perdida.
Foram tantas as histórias
que me vieram à lembrança,
de amores, batalhas e esperança.
Nem sei como me segurei
ao pegar a fotografia na mão,
batia tão descompassado o coração
que tive medo e depressa a larguei.

Nela estavas a meu lado,
sentados num banco de jardim.
Ainda te lembras de olhares para mim
e me dizeres: “Como é bom estar apaixonado!”

O senhor que nos tirou a fotografia,
deixou-nos gravada aquela alegria
e sem saber o quão importante era aquele presente
apenas sorriu e seguiu no batente.

Pena que já não a possas ver,
nem sequer tentar perceber,
porque não cumpriste o prometido
foi tão mais fácil teres mentido.
Mas não tenhas pena de mim
eu não vivo de um passado ferido
apesar de agora me sentir assim
sei que naquela fotografia tu por mim terias morrido!

Voltei a guardar a fotografia
No lugar onde ela deve pertencer
Fechada no álbum das memórias
Para ser vista quando a saudade bater.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

FUTEBOL (poesia infantil)

Vou jogar futebol
Porque está um lindo dia de sol
Dar uns toques na minha bola
Não há nada que mais me consola
Marcar golos à campeão
Por muito que saiba que não
Fazê-la rolar nos meus pés
E correr o campo de lés a lés
Chutá-la com força e segurança
E vê-la voar sem perder a esperança
Que o guarda-redes não a veja chegar
E um grande golo me deixe marcar
E no fim de mais um jogo de verdade
Volto para casa com saudade
Das fintas e dos passes aldrabados
Mas que com a minha bola são sagrados.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

"Gostava, amor..."

(imagem retirada de kboing.com.br)

Gostava que viesses, amor
ao entardecer à minha janela
que me dissesses palavras com sabor
e me achasses de todas a mais bela.


Gostava que segurasses a minha mão
como quem respira para sobreviver
sabes, amor, que só assim meu coração
conseguiria calmamente adormecer.


Gostava que os teus lábios nos meus tocassem
e nos perdessemos num sonho enamorado
sabes que se os meus olhos falassem
só falariam de ti em todo o lado.


Gostava, amor, que tivesses conhecimento
do amor que habita no meu peito
és tu quem preenche cada momento
desde que acordo, até quando me deito.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

MENDIGA DE PALAVRAS



Sou mendiga de palavras,
De frases, de pensamentos
Vivo para cada texto
Nos bons e nos maus momentos

Todos os dias sou pedinte
Da fala e da cantiga
Alimento-me letra a letra
Porque das palavras sou mendiga

Respiro cada sílaba,
Cada vogal, cada consoante
Porque este ar que consumo
Guardo-o no cimo da estante

Não peço ao virar da esquina
Como um mendigo qualquer
Peço apenas a cada livro
Que me ensine o que quiser

Em pleno estado de sanidade
Assumo o estatuto de mendiga
Hoje, amanhã e no futuro
Há-de ser sempre o meu modo de vida.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

LEMBRO-ME (A ESCOLA)



Lembro-me do primeiro dia de escola
Do medo da emancipação
Lembro-me da cor da minha sacola,
Do lápis, da borracha, do bater do coração.

Lembro-me de me sentir grande
Naquele tão pequeno começo de vida
Lembro-me de achar tão longo o caminho
Mas de o fazer altiva, decidida!

Lembro-me do cheiro da minha carteira,
do barulho do choro das outras crianças
Lembro-me da cor da lapiseira
Com que comecei a escrever a esperança.

Lembro-me da campainha que tocava,
pela emoção ao acabar mais um dia
Lembro-me de como depressa passava
O recreio onde brincava e tudo podia.

Lembro-me de me lembrar como seria
Lembrar-me daquele passado tão inocente
Lembro-me de pensar se estaria
Triste, com saudades ou diferente.

Lembro-me do último dia de escola
Das saudades que ainda não tinham chegado
Lembro-me do cheiro da minha sacola
Ao deixar para trás um pouco do meu passado.