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A Autora,

Isabel Mendes (Isamar)

terça-feira, 31 de maio de 2011

AS CRIANÇAS (Dia Mundial da Criança)

Lucília e Isabel

Com olhos brilhantes,
sorrisos constantes
como a verdura dos frutos,
tornam-se heróis e gigantes
Reis e Infantes,
são os sonhos dos putos.

Levam os bolsos rasgados
e dependurados
vão os brinquedos,
saciam-se de rebuçados
ficam lambuzados
e adormecem sem medos.

Acreditam que ser crescido
é ser mais comprido
e nada fazer,
gostam de brincar ao relento
dos papagaios ao vento,
são os mestres na arte de viver.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

NAS MÃOS QUE LEVO AO PEITO...




Nas mãos que levo ao peito
Mesmo sem jeito
Vai toda a minha devoção
Nas orações quando me deito
Quando confesso e aceito
Te entrego todo o meu coração.

Deus da Vida e da Verdade
Que com vontade
Se deu por inteiro
Deus dos que não ficam pela metade
Dos que aceitam a realidade
E não se regem pelo ponteiro.

Os olhos não ficam enxutos
Porque amar também é sofrer
O céu também se veste de luto
Porque o sol nem sempre pode aparecer.

terça-feira, 17 de maio de 2011

PRECISO (DE TI)



Preciso de um abraço
De um pedaço
Do teu amor
Sabes que ainda me causa embaraço
Saber que não passo
Sem sentir o teu sabor.

Vou reclamar com bravura
Vou ser dura
Vou ao fim do mundo
Porque não quero saber a cura
Para a loucura
Deste amor profundo.

E tu vens ao fim da tarde
Como o fogo que arde
No meu coração
Já sabes que te oiço chegar
E os teus passos a lutar
Contra as pedras do chão.

Anoitece sem darmos por isso
Na cumplicidade do nosso compromisso
É bom assim adormecer
Fechar os olhos e assim ficar
É tão bom este saber viver
Abraçado a quem nos sabe amar.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

PASTOR SERAFIM





O pastor Serafim
Não sabe que o mundo tem fim
Pensa que as terras por onde passa
E lhe servem de praça
São o começo e o final
Da sua vida e da sua prole animal.

O Sol ainda não abriu a janela
E já o pastor segue em fileira
O seu rebanho vai pela viela
No caminho que os leva à ribeira.

Os sonhos ainda aparecem
Porque os ideais nunca se esquecem
Mas o Serafim finge não os conhecer
É que estar vivo sem viver
Por muito que não se queira mostrar
Há sempre quem acabe por notar.
Então disfarça-se a verdade
Para um homem de meia idade
Poder o seu rebanho conduzir
E pensar que o seu sonho acabou por se cumprir.

O cajado não deixa enganar
O destino que o Serafim tinha traçado
O pai foi quem o ensinou a usar
Para não deixar morrer o legado.

Sentado à sombra da meia tarde
Olha o rebanho, sua família fiel
Nem o Sol nos olhos lhe arde
Qual pintura a pincel.

O badalo ajuda o pastor
A controlar o que tem de maior valor
E na hora do regresso a casa
O Serafim quase nem mexe uma asa
Basta assobiar a sua melodia
Que o seu rebanho sabe que acabou o dia.

O caminho de volta é feito quase vendado
Tantas são as vezes que é pisado
O Serafim guarda os seus amigos até ao dia seguinte
E recebe a noite como um simples pedinte.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

QUANDO O CORAÇÃO NÃO QUER SABER






Quando o coração não quer saber
E a razão nos vira do avesso
Não importa se é bom ganhar ou perder
E se por entre tudo atravesso

Quando o coração não sente a dor
Dum passado tão sofrido
Não importa se a natureza no seu esplendor
Nos leva ao mais puro infinito

Quando o coração não sabe falar
A linguagem do entendimento
Não importa o quanto sabes soletrar
Pois perdes até o mais lindo sentimento

Quando o coração não quer ouvir
A mais bela oração
Não importa se sabes cair
Pois não vais ultrapassar o limite do chão

Quando o coração insiste em negar
E não faz nem a mais simples função
Não importa se os olhos vais fechar
Porque vais continuar sem direcção